Monday, March 10, 2008

A AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES

Foram muitos os que se manifestaram. O que impressiona menos é o número, sobretudo a quem conhece as manifestações desde há 50 anos, a começar pela que aqui foi realizada em favor da candidatura de Humberto Delgado, mas o facto único nesta Europa da século XXI de ter sido feita sob a batuta do Partido Comunista.
E a maior dificuldade deste Governo maioritário, está em que a única oposição relevante a que está sujeito vem da parte de um Partido Comunista que luta pela manutenção do país há trinta anos (é a manutenção das chamadas “conquistas de Abril”).
Zapatero, ao pronunciar-se ontem sobre a sua vitória, disse que o seu segundo mandato ia funcionar na busca de consensos com os outros partidos e com os patrões e sindicatos.
Mas aqui com consensos não é possível fazer reforma nenhuma ou só muito dificilmente é possível fazê-las.
O critério de avaliação dos professores proposto pelo Governo e já em marcha é tido como burocrático, imperfeito e injusto na opinião dos que sobre o mesmo se pronunciam. Que alternativa há no sentido de o melhorar e termos professores avaliados como no resto da Europa ?
Desde logo, nenhum professor, ou só muito poucos, querem ser avaliados, embora todos digam que sim (e é aí que está o sucesso da manifestação). Aliás, a regra é que ninguém em sector nenhum queira ser avaliado, como é de merediana evidência.
O que significa que a generalidade dos professores, mesmo dos que são geneticamente de Direita, esteja sempre de acordo com o sindicato, quando este se opôs à alteração da idade da reforma, quando se opôs às aulas de substituição, quando se opõe agora à avaliação (embora diga, para consumo externo, que não se opõe à avaliação em si, mas a esta avaliação).
E se é certo que o Governo mostra laivos de intransigência, não é menos certo que do outro lado da barricada encontra igual intransigência.
Para o desempate existe a figura do Presidente da República.


1 comment:

Annie said...

Grande Vuvu. As suas palavras são como sempre muito sábias e adoro as nossas discussões de Segunda-feira à noite.

As palavras que me disse especialmente hoje em relação ao Ensino em Portugal flutuam agora na minha mente.

É, de facto, incrível o número de professores que aderiram ao que chamam de sua "causa". Mas a grande causa aqui não deveria ser o ensino para os alunos? Acho ridícula a hipocrisia dos professores. Enquanto professores não querem aulas de substituição mas, enquanto pais desejam que os seus filhos estejam seguros quando os seus caros colegas faltam. Isto é de uma tremenda contradição.

Depois, claro, há a questão dos professores afirmarem vivamente que sim, que querem ser avaliados quando, na verdade, tremem de medo e ajoelham-se perante os aluno para que estes se portem bem no dia de avaliação. Os Senhores Professores não querem ser avaliados pelas notas? Integralmente não o devem ser mas, meus caros senhores, têm de ser avaliados pois quando se vê turmas com médias negativas algo corre gravemente mal. Actualmente sou aluna do ensino privado mas frequentei durante quase todo o meu percurso escolar escolas públicas e conheço bem a realidade das turmas. Nunca fui uma aluna fraca, mas o ensino é feito para os fracos. Os professores adaptam-se sempre aos alunos médios (que a nível europeu serão considerados medíocres). E como? Tentando superar as dificuldades dos alunos menos bons, estimulando-os a estudar de modo a aproximá-los dos alunos com capacidades mais desenvolvidas? Não, os Senhores Professores limitam-se a baixar o nível de ensino para que os alunos estúpidos continuem estúpidos, os alunos preguiçosos fiquem ainda mais preguiçosos e rezam para que os alunos com mais capacidades as possam desenvolver com a (muito pouca) ajuda que recebem do professor.

Os óptimos professores que tive durante o meu percurso escolar, os que ainda terei e aqueles que não foram meus professores mas que contribuem activamente para a formação de jovens apresento as minhas desculpas por críticas tão duras, mas quando ouço na televisão um professor dizer que "nesta conjectura é impossível trabalhar", só tenho o seguinte a acrescentar: somos um país medíocre. Não apostem no ensino e verão que rico país teremos. Um país de gunas e novos-ricos incultos que nunca vão desenvolver o nosso país.

É triste perder a esperança no meu país aos 16 anos.